Para quem busca tomar melhores decisões para seus investimentos, entender a diferença entre bonds corporativos e soberanos é fundamental. Saber como funcionam esses títulos ajuda a estruturar uma estratégia mais consistente, considerando potencial de retorno e perfil de risco.
Bonds são títulos de dívida cuja função é captar recursos no mercado. Eles permitem que governos ou empresas financiem projetos, paguem obrigações ou reforcem sua estrutura financeira. Ao adquirir esse ativo, o investidor empresta dinheiro ao emissor em troca de uma remuneração acordada.
Quer saber mais sobre a modalidade? Continue a leitura para entender mais sobre bonds corporativos e soberanos!
O que são bonds corporativos?
Os bonds corporativos são títulos de dívida emitidos por empresas que desejam captar recursos no mercado de capitais. Os recursos poderão ser usados para financiar projetos, expandir operações, reforçar o caixa ou refinanciar obrigações.
Como você viu, ao comprar esse título, o investidor empresta dinheiro à companhia em troca do pagamento de juros. Os fluxos podem ocorrer apenas no vencimento ou por meio de pagamentos periódicos de juros (cupons), conforme a estrutura da emissão.
Para as empresas, os bonds representam uma alternativa às emissões de ações ou à obtenção de crédito bancário. Ao contrário da abertura de capital ou da diluição societária, a emissão de bonds não concede o direito de voto aos investidores, que atuam como credores e não como acionistas.
O custo da captação é influenciado pelas condições do mercado primário, pelo apetite dos investidores e pelo risco de crédito percebido.
Embora exista um processo de formação de preço, as companhias costumam ter maior previsibilidade sobre esse custo em comparação com operações tradicionais de crédito. Além disso, os bonds frequentemente apresentam prazos mais longos do que outros instrumentos de dívida.
Mesmo emissões consideradas de curto prazo podem ter vencimento de até um ano, enquanto títulos de médio e longo prazo podem ultrapassar dez anos. Para o investidor, os bonds corporativos tendem a oferecer spreads mais elevados do que os soberanos, refletindo o risco associado ao desempenho da empresa emissora.
O risco de crédito é avaliado por meio dos ratings atribuídos por agências especializadas, que analisam fatores como endividamento, geração de caixa e condições macroeconômicas. Em geral, emissões com classificação de risco mais baixa apresentam taxas maiores como forma de compensar o risco adicional assumido pelo investidor.
O que são bonds soberanos?
Os bonds soberanos são títulos de dívida emitidos por governos nacionais. Eles podem ser usados para financiar gastos públicos, equilibrar contas, sustentar programas econômicos ou viabilizar projetos de infraestrutura.
A lógica é semelhante à dos bonds corporativos: o investidor empresta recursos ao emissor em troca de juros. Entretanto, como representam obrigações de um Governo, esses títulos se tornaram um dos principais referenciais do mercado global de renda fixa.
O risco associado aos bonds soberanos está ligado à capacidade do país de honrar seus compromissos. Fatores como estabilidade política, solidez fiscal, inflação, reservas internacionais e credibilidade institucional influenciam a percepção do mercado.
Países com fundamentos robustos e histórico consistente de pagamento costumam ter títulos considerados mais seguros. Por outro lado, economias emergentes ou sujeitas a maior volatilidade tendem a oferecer juros maiores para atrair investidores.
Assim como nos títulos corporativos, os bonds soberanos recebem ratings de crédito atribuídos por agências internacionais. Essas classificações auxiliam na comparação entre emissores e contribuem para a construção de estratégias mais equilibradas.
Além disso, os governos podem emitir bonds em diferentes moedas — como dólar, euro ou a moeda local. Quando o título é emitido em moeda forte, o investidor passa a estar exposto ao risco cambial caso seu patrimônio, renda ou obrigações estejam denominados em outra moeda.
Nessas situações, variações no câmbio podem ampliar ou reduzir o retorno do investimento, o que torna a escolha da moeda um componente relevante na análise de risco.
Quais as diferenças entre bonds corporativos e soberanos?
Embora ambos sejam instrumentos de renda fixa usados para captação de recursos, bonds corporativos e soberanos apresentam diferenças importantes. Confira as principais!
Emissor
Bonds corporativos são emitidos por empresas privadas ou estatais, enquanto os soberanos são emitidos por governos nacionais. Assim, enquanto empresas dependem de fluxo de caixa e desempenho operacional, governos dependem de capacidade fiscal, política monetária e estabilidade econômica.
Garantias
Geralmente, bonds soberanos não possuem garantias específicas além da confiança no governo emissor. Nos corporativos, pode haver garantias específicas, dependendo da estrutura da operação.
Liquidez
A liquidez varia conforme o mercado secundário. Em emissores grandes e países desenvolvidos, os soberanos tendem a ter liquidez superior. Já a liquidez dos bonds corporativos depende do porte da empresa, do volume emitido e da demanda dos investidores.
Rendimento
Bonds corporativos tendem a oferecer spreads mais altos, enquanto soberanos de países sólidos geralmente apresentam taxas menores.
Sensibilidade a fatores externos
Somando-se a esses pontos, vale a pena saber que bonds soberanos são sensíveis à política fiscal e monetária, inflação, estabilidade cambial e eventos geopolíticos. Nos corporativos, fatores macro também afetam, mas a performance da empresa e seu setor de atuação têm peso maior.
Leia também: Gestão de riscos: por que é fundamental para mitigar perdas em investimentos?
Vale a pena investir em bonds?
Bonds podem integrar uma estratégia de diversificação e exposição ao mercado global de renda fixa. Eles combinam fluxos de renda, diferentes níveis de risco e acesso a emissores com variados perfis de crédito.
A variedade de estruturas — corporativos, soberanos, distintos setores, prazos e moedas — permite construir estratégias adequadas ao perfil e aos objetivos do investidor.
Em determinados ciclos macroeconômicos, movimentos nas curvas de juros podem impactar a precificação dos títulos, gerando ganhos ou perdas no mercado secundário. Assim, a seleção adequada do emissor, rating, prazo e moeda é essencial para chegar à resposta sobre se vale a pena investir nesses títulos.
Para construir uma carteira estratégica e diversificada, entender as diferenças entre bonds corporativos e soberanos é um passo importante. Como você acompanhou, cada tipo responde de maneira distinta ao risco, ao ambiente macroeconômico e às características dos emissores.
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